terça-feira, 6 de setembro de 2011

DONA HELOISA

ALUNO VITOR E DONA HELOÍSA

ENTREVISTA DOS ALUNOS - ORGANIZAÇÃO E DISCIPLINA

PROFESSOR ASSIS REGISTRANDO TUDO

MUITA DESCONTRAÇÃO RELEMBRANDO FATOS DO PASSADO
SAUDOSISMO E ORGULHO DE SER MORADOR DA VILA





Entrevista realizada em outubro de 2006 com DONA HELOISA MORADORA DA VILA SÃO JOSÉ DESDE A SUA FUNDAÇÃO

Alunos do final do 2º ciclo numa das etapas do Projeto HISTÓRIA DE NOSSA TERRA, um resgate de nossas memórias resolvem pela entrevista a um dos moradores mais antigos, dona Heloisa. Elaboram perguntas e na forma de roda viva, escutam a entrevistada .


EIS, NA ÍNTEGRA A FALA DE DONA HELOÍSA

No início, há trinta e nove anos atrás, aqui não havia nada.Apenas umas poucas casinhas, uma mina, alguns coqueiros e muito espaço. Tratava-se de uma propriedade do Melo, uma fazenda limpinha.

Da mina surgia uma água tão limpa que a gente usava para cozinhar, lavar roupa e até bebia dela. Essa mina dava origem a um pequeno córrego, também de água limpa, com alguns peixinhos que nós pegávamos para levar para casa. Só que eles morriam rapidamente.

A maior parte desse terreno era de propriedade do senhor Coronel Alípio de Melo e seu irmão Ignácio de Andrade Melo e mais seis irmãos.

Como se deu a ocupação da vila

Um corretor de imóveis, conhecido com “gente boa” trabalhando nos bairros próximos aproveitou a oportunidade, pois muitas pessoas estavam com um dinheiro recebido pela indenização feita pela prefeitura para desapropriação de uma área próxima ao bairro calafate que eles chamavam de vila dos marmiteiros, na calada da noite, demarcou vários pedaços de terra de 20 metros, 30 e 50 metros, vendendo a preços ótimos. Seu Ignácio, muito velho, não pode fazer muita coisa e de um um para o outro, várias casinhas eram levantadas sem nenhum critério ou padrão. Para isso usavam latões, madeira, papelão, tijolos barreados a sopapo. Em poucos dias viu-se o crescimento desordenado da vila. O sr. Ignácio até que tentou a reintegração de posse. Chamou a polícia, de nada adiantou. Recorreu a alguns homens que, em seus cavalos e armados com foice, facões e até espingarda . Mas ao chegarem o que encontraram foi uma comunidade mobilizada, armadas com enxadas, pás, picaretas e alavancas, decididas a não sair dali.

Em menos de 1 ano, a vila já estava toda habitada em torna daquela pequena mina e do córrego.

Nós não tínhamos nem água e nem esgoto e por isso, o córrego de água limpa começou a ficar sujo e com muito esgoto. Por isso ele passou a ser chamado de “córrego pastinho”.

Por que as pessoas vieram morar na Vila

A Praça São Vicente, do bairro Padre Eustáquio era um lugar muito violento e muito perigoso por causa da BR. As pessoas queriam morar num lugar perto da cidade os de grandes bairros. E aqui perto tinha o Bairro Alípio de Melo, movimentado e em crescimento. Além disso, os preços do lote mais acessíveis às pessoas de baixa renda era os vendidos na vila São José.

Os primeiros moradores ralatam que aqui era um lugar bastante tranqüilo. Os novos compradores eram bem solidários, se ofereciam para limpar os lotes, queriam ajudar como pedreiros. Até construíram um pequeno campinho para bater uma bolinha, soltar papagaio e brincar de bolinha de gude, finca e rouba-bandeira.

Aqui só existia uma rua que a gente chamava de rua do ônibus. A Av. David Rabelo era esgoto a céu aberto. As demais ruas eram na verdade pequenos caminhos. A Av. Abílio Machado se chamava Estrada de Contagem era uma trilha onde passavam carroças e caminhões transportando leite e lenha. Não havia luz e quando a gente tinha que sair à noite ou quando voltava para casa muito tarde, tinha que usar lamparina. O pior é que nos caminho tinha cobras, nas árvores macacos e até esquilos. Aliás, nosso ônibus era chamado de poeirinha e alvo de chacotas pelos moradores: “ Vê se trás uma abóbora para mim.” Diziam as pessoas em tom de gozação.

Sobre a Escola MUNICIPAL Ignácio de Andrade Melo

A escola foi construída em um terreno doado pelo senhor Ignácio de Andrade Melo. Na verdade era um barranco, um pequeno pedaço de terra, onde as pessoas jogavam entulho, lixo e pedaços de móveis.

Nós, os moradores queríamos um pedaço maior, mas como foi doado e com muita boa vontade, deram o nome à escola em homenagem a senhor Ignácio. O prefeito na época era o sr. Sérgio Ferrara, pai.

Com a construção, a escola só tinha salas de aula. Não havia carteiras e nem cadeiras, nem mesas para professores, nem móveis e eletrodomésticos para a cantina preparar a merenda para as crianças. Para as crianças se assentarem as mães enviavam toalhas, tapetes, panos e almofadas. Inclusive as próprias professoras se sentavam, quando sentavam, no chão.

A história do famoso bolinho de chuva

Muito bem, na escola não havia fogão. Então para fazer qualquer coisa na escola, as pessoas precisavam levar os ingredientes. A mães dos alunos e os professores levavam o café, o açúcar, o suco, os biscoitos, rodo, vassouras, sabão, enfim, levavam de tudo. A merenda da escola era feita pelas mães, no sistema de rodízio ou de mutirão. O que faltava a diretora dava o dinheiro para comprar as coisas na Abílio Machado. Lembro-me uma vez que, para comemorar o dia da criança, a diretora gostaria que fizessem um bola gigante para 400 crianças. Foram dois dias e uma noite para fazer tal bolo. Para assar o bolo, tiveram a ajuda de um padeiro da padaria na Abílio Machado. Foi gratificante, conta Dona Heloisa.

O racionamento da luz

Como não tinha eletricidade na vila, as pessoas usavam a luz clandestina. Mas quem tinha a luz, emprestava para outras tantas famílias. Existia uma regra básica: cada família só podia acender duas lâmpadas por vez. As brincadeiras ocorriam no escuro. Mas não havia violência, nem drogas e nem tiroteio.

O USO DA MINA NO INÍCIO, ERA FEITO por todo mundo. Tínhamos um local para lavar a roupa, uma pedra para bater a roupa

Retirando a sujeira e outras pedras para secar. Para carregar a água, a gente usava latas de tinta de 18 litros. Alguns homens retiravam areia para vender ou construir paredes.

Muitas famílias, para cozinhar buscavam lenha no bairro Ressaca, em contagem. Não podíamos tirar lenha da fazenda. Tinha até um caminhão que vendia lenha. Algumas dessas pessoas pediam carona ao motorista do caminhão para aliviar o peso.

Padre Tiago

Na época da chuva era uma loucura. Era só problemas. Para atravessar o córrego a gente usava troncos de coqueiros. Mesmo assim, muitos caiam na água barrenta.

Temos muito que agradecer ao padre Tiago da Paróquia São Tiago. Ele, em época de chuva, saia de sua igreja, de chinelo, arregaçava a calça e a batina, saindo cedo para poder colocar pedras nas travessias e fazer uma espécie de ponte para facilitar as passagem das pessoas.

Quando éramos crianças a coisa que mais gostávamos de fazer era o piquenique debaixo dos pés de coqueiros. A gente saia cedo, levando pão com salame, suco de limão, banana, café e até pão de queijo.

Os alunos da escola no principio

Naquela época a gente não tinha nada. Mas as crianças que ali estudavam eram super educadas. Elas tinham muito respeito pelo adultos, pelos professores e pelos pais. Se dirigiam aos adultos com expressões de senhor, muito obrigado, com licença, sim senhora, desculpe e aceitavam a correção quando era feita pelos adultos. Não escreviam nas carteiras, nem nas paredes. Lembro-me do primeiro passeio que fizeram com as crianças foi uma excursão ao parque municipal, onde era o zoológico da cidade. Foram 150 crianças, à pé, sem crachá e cada um com sua merendinha. Não tivemos nenhum problema. A gente não precisava chamar atenção, ninguém falava palavrão, nem dava tapa no colega, não empurrava o outro e a gente era bastante feliz.

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